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Sabores de Quirinópolis
Festival de gastronomia realizado na cidade atraiu mais de 50 mil pessoas
Se de médico e louco todo mundo tem um pouco, em Quirinópolis, Sudoeste do Estado, não é exagero acrescentar que todos na cidade conhecem um segredinho ou mesmo arrisca um palpite quando o assunto é o prato local, a Chica Doida. Esse foi o tempero do 2º Festival Gastronômico Chica Doida, que reuniu, nos quatro dias de evento, encerrado domingo, mais de 50 mil pessoas.
E mexe daqui, acrescenta um ingrediente ali e, assim, o formato tradicional da receita preparada com milho, linguiça e queijo caipiras, jiló e uma boa pimenta malagueta ganhou versões inovadoras que despertaram o interesse dos visitantes. As criações não decepcionaram. Para se ter ideia, no primeiro dia, não sobrou uma Chica Doida para contar história nas 21 barracas administradas por estudantes montadas próximas ao Lago Sol Poente.
A frente fria que percorreu a região no fim de semana, acrescida do vento gelado que vinha do lago, parece ter sido mais aliada que algoz do festival. “Com esse frio uma comida quentinha cai muito bem. Tá tudo muito gostoso”, disse o estudante Pablo Freitas, de Rio Verde.
Quem não perdeu tempo e previamente se inscreveu nas oficinas de gastronomia, ministradas pelos chefs André Barros, Emiliana Azambuja, Júlia Tomé e Eduardo di Castro não se arrependeu. No total, 16 pratos contemporâneos foram apresentados. Um toque de leite de coco foi o destaque da Chica Doida de cumbuquinha feita por Eduardo di Castro.
Mas não só a protagonista da festa deu o ar da graça nas oficinas. Uma das contribuições da chef de cozinha Emiliana Azambuja foi um delicioso brownie de quentão com calda de mel. “Procuramos evidenciar a alta gastronomia com ingredientes simples. O mínimo é o máximo”, ressaltou a profissional.
Talk show
Em algumas situações, as oficinas lembravam um talk show. E, nesse quesito, André Barros, se sobressaiu. Enquanto o público aguardava o resultado da fusão de ingredientes, no mexe-mexe da panela, o gourmet divertia os aprendizes. Dicas de filmes, premiações para as melhores respostas e um banho de cultura sobre a história da gastronomia eram despejados por ele. “É uma forma dinâmica para não deixar a aula ficar monótona”, explicou.
Mas quem teve lugar especial no festival foi a criadora do prato. Dona Petronilha, há 50 anos, mantenedora do segredo da tradicional Chica Doida, esteve presente, na noite de sábado, em uma cozinha-show com a atriz e modelo quirinopolina Andressa Oliveira. Uma versão doce foi preparada por Andressa e recebeu o aval de dona Petronilha. Além disso, em um desafio proposto pela matriarca, os chefs prepararam uma calda de mel, com especiarias e pimenta.
Chica Doida, prato principal do Festival de Gastronomia de Quirinópolis: versões incrementadas
Além de todas essas iguarias, um armazém, montado próximo ao restaurante, enchia os olhos dos visitantes com objetos de confecções, artesanato, artes plásticas e, é claro, mais guloseimas. Souvenirs do festival também foram comercializados na festa.
Vale lembrar que por trás de todos os atrativos do festival está o trabalho de fixar a identificação da iguaria à cidade. A ideia é obter a chancela de bem cultural de natureza imaterial. Para conseguir o título de Patrimônio Cultural Imaterial, concedido pelo Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural (Iphan), o prefeito Gilmar Alves afirma que está colhendo a documentação exigida pelo órgão. “Já registramos em cartório e agora trabalhamos com tudo o que ligue a Chica Doida ao município”, diz.
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