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Adriano Marquez Leite de São Simão
A caminho da maturidade, o Festival Gastronômico de São Simão, cuja quinta edição foi realizada no feriadão da Semana Santa, ganha fôlego, mais visitantes e se consolida no roteiro de grandes eventos de Goiás. Ainda há muito a ser feito, admitem os próprios organizadores, mas a boa participação da população subsidia a realização dos próximos festivais e, o mais importante, deixa na cidade a experiência adquirida durante o evento.
A organização do festival chama a atenção. Ao invés de destacar pratos típicos em diferentes restaurantes da cidade (como geralmente ocorre), o evento reúne quatro dos principais restaurantes da cidade em um só local onde são servidas todas as refeições. Aí, basta se dirigir ao bufê e experimentar algumas (ou todas) das delícias preparadas por cozinheiros da região, mas sob a coordenação de grandes chefs de Goiânia.
A tilápia é a base da maioria dos pratos servidos, mas há também guarnições preparadas com filé mignon e frango. Ao som de boa música, mesmo que às vezes alta, e a vista de frente para o Lago Azul, as refeições são um convite a um dos pecados capitais: a gula.
Referência Três chefs de Goiânia, Emiliana Azambuja, Humberto Marra e Júlia Tomé comandaram a cozinha com mais de 45 pessoas, entre auxiliares e pessoal de serviço, todos da região. O reflexo é que, encerrado o evento, esses mesmos profissionais de São Simão levam um pouco do que aprenderam com os mestres da arte de cozinhar.
Moradores da cidade já percebem melhorias nos serviços locais, principalmente com relação a atendimento e limpeza. Os chefs também. Emiliana vem há cinco anos para o festival e afirma que é evidente a melhoria da conduta das cozinheiras com relação à higiene durante o preparo dos alimentos.
Humberto complementa que as cozinheiras locais também estão com mais autonomia durante o preparo dos pratos. Isso porque, ao longo das quatro últimas edições do festival, elas tiveram a oportunidade de acompanhar a montagem das refeições e melhoraram muito as referências que tinham com relação a tempero e cozimento dos alimentos.
O que ainda pode ser melhorado, e muito, é o serviço de garçons. Esforçados, sempre com um sorriso no rosto, os atendentes muitas vezes manuseiam latas e copos de maneira que contaminam a borda. Nos momentos em que o grande restaurante à beira da orla ficava cheio eles também eram insuficientes para atender toda a demanda de pedidos.
O caminho é simples, diz a consultora técnica do festival, Sonea Stival. “Basta um melhor planejamento para captar mais recursos da iniciativa privada e promover oficinas de capacitação dos profissionais que vão atender durante o evento”, afirma. E é isso o que deve ser feito já para o próximo Festival Gastronômico, conta Sonea.
Bahia A elaboração das receitas ficou a cargo de Emiliana Azambuja, que brincou com os temperos de Goiás e da Bahia. A ideia era trazer uma inovação em termos de aromas e tendências e a culinária baiana foi a responsável por essa influência. “Nos propomos aqui a suavizar comidas típicas, com sabores fortes, ou preparadas com muita gordura”, explica a chef.
Dos quase dez pratos servidos nos quatro dias de festivais, além de petiscos e acompanhamentos, dois exibiram bem esse intercâmbio entre o Cerrado e o litoral brasileiro e novas tendências da culinária: Inspirações de Bobó à Goiana e Lembranças Aromáticas do Lago Azul.
O primeiro é uma composição de tilápia servido ao molho preparado com mandioca, leite de coco, vinho branco, creme de leite e, claro, óleo de dendê, que em pequena quantidade deixa o prato mais leve e saboroso. Unanimidade em aceitação e elogios, Lembranças Aromáticas é composto por filé de peixe assado, com azeite aromatizado de manjericão, perfumados com campim-santo e raspas de limão. Uma combinação excelente. Fonte: Site www.opopular.com.br
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