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Sabor de saúde
Sem resíduos tóxicos e produzidos em harmonia com a natureza, alimentos orgânicos enriquecem os cardápios de restaurantes
O Popular - Ana Cláudia Rocha

Saladas com ingredientes orgânicos servidas no República da Saúde: boa aceitação dos consumidores e tendência que tem ganhado mais adeptos na cidade

Verduras in natura ou cozidas no vapor: opção do restaurante Panela Mágica
Os alimentos saudáveis e com maior valor nutritivo, cada vez mais, estão na mesa dos brasileiros. Essa mudança de hábitos alimentares veio com a preocupação de garantir qualidade de vida. Se a Europa já adota esses itens em seu cardápio há algumas décadas, o Brasil agora passa a integrar o rol dos países consumidores de produtos naturais e, mais recentemente, de alimentos orgânicos ou biológicos, como são chamados na Europa. Cultivados sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos, fertilizantes sintéticos, reguladores de crescimento e aditivos para a alimentação animal, os orgânicos requerem cuidados na produção, no manuseio e no processamento. Seguindo a demanda, alguns restaurantes incluem no cardápio pratos feitos com ingredientes orgânicos.
Não apenas frutas, verduras e legumes são produzidos organicamente. Carne, grãos, açúcar, massas, molhos, azeite, leite e ovos, entre outros, também estão nessa lista. Os produtos precisam ser regulados e controlados antes de chegar ao consumidor. Comida com etiqueta de 100% orgânico deve conter somente ingredientes orgânicos. Para o consumidor ter certeza de que não está levando gato por lebre, a primeira dica é procurar o selo de certificação, fornecido por empresas especializadas.
Produzidos em harmonia com a natureza, os orgânicos resultam de um sistema que usa o equilíbrio para trabalhar o solo e os recursos naturais. Enquanto os fazendeiros convencionais aplicam fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas artificiais nas plantações, os orgânicos usam fertilizantes naturais, predadores de insetos, armadilhas e fazem rotação de plantações. As carnes, laticínios e ovos orgânicos vêm de animais que são alimentados organicamente e que têm acesso ao pasto.
Nesse processo, é estimulado o comportamento natural dos animais. Eles só recebem hormônios, antibióticos e outros medicamentos se estiverem doentes. Medidas preventivas são tomadas para evitar as doenças. A agricultura orgânica promove a sustentabilidade e o equilíbrio ecológico e melhora a biodiversidade e a produtividade do solo.
Nutritivos
Há anos recomendando o uso de alimentos orgânicos como aliados à prevenção de doenças, a médica homeopata e pediatra Amélia Fortunato Chaves orienta que eles são ideais para a conservação da saúde. “Os orgânicos protegem a qualidade da água, o solo e sua fertilidade, a vida silvestre. E são mais nutritivos, ou seja, contêm de 25% a 30% mais nutrientes que os outros produtos que têm componentes químicos.”
A médica informa que os orgânicos são melhor absorvidos pelo organismo porque conservam a sua energia vital quando consumidos frescos, até seis horas após a colheita. “É importante salientar que o cultivo de orgânicos respeita as leis naturais e os direitos de seus trabalhadores, portanto, todo alimento orgânico é muito mais que um produto sem agrotóxicos. É resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar equilibradamente o solo e demais recursos naturais”, acrescenta.
O austríaco Gregor Kux cresceu habituado a comer alimentos orgânicos e biodinâmicos (baseados no fortalecimento das forças vitais da planta). Em 1998 veio para Goiânia, onde se casou. Logo percebeu que faltava um mercado local para os alimentos que consumia.
Foi assim que abriu, em 2004, a Cerrado Alimentos Orgânicos, loja especializada nesse tipo de produto. Gregor acredita que as lojas especializadas devem fazer um trabalho de conscientização da população sobre a importância dos orgânicos e criar um elo entre produtor e consumidor. “O consumidor se torna fiel à medida que conhece os produtos”, afirma. O empresário ressalta a importância desses alimentos para a saúde. “As doenças vêm do consumo de alimentos com agrotóxicos. No organismo humano, tudo está integrado. Quando falta equilíbrio, aparecem as doenças como câncer, alergias, infertilidade”, justifica.
Procedência
O chef Caio Jardim, proprietário do restaurante Panela Mágica, há cinco anos investe nos orgânicos em seu cardápio. Os pratos trazem legumes e grãos in natura ou cozidos no vapor, servidos separadamente. O cliente tem a opção de montar sua salada. Mas o chef alerta o consumidor: “Alguns não são orgânicos. É preciso ver a procedência selada dos alimentos.”
Ele lembra que há uma tendência mundial de comer bem, mas o consumo ainda é restrito. É o que também pensa o chef Tony Martins, proprietário do restaurante República da Saúde. Para ele, a aceitação desse tipo de alimento ainda é lenta. “Mas já melhorou, temos boa clientela preocupada com a saúde, com a ingestão de um alimento mais natural”, atesta. Ele diz que também precisou formar mão de obra.
Tony Martins conheceu os orgânicos em uma viagem à Alemanha. Experimentou esse tipo de ingrediente e passou a estudar o tema. Em 2008 abriu o restaurante, voltado para produtos naturais e orgânicos. O chef não usa óleo, apenas azeite, e não faz frituras. O empório no local comercializa dezenas de itens orgânicos. Às quintas-feiras, o restaurante monta uma feira de orgânicos.
Outra adepta de um cardápio mais saudável é Wani Oliveira, proprietária do restaurante Arepa. Todas as folhas utilizadas nas saladas são orgânicas. “É mais saudável e pede uma higienização mais fácil, menos complicada. Os produtos são naturais e saborosos e os pratos ficam mais bonitos”, ressalta. Essa melhor apresentação, segundo ela, é outro atrativo para os clientes. “O hábito já está sendo criado. Um cliente leva outro”, completa.
Um dos fatores que restringem o consumo é o custo dos orgânicos, ainda elevado em relação aos outros alimentos. Com menor produção, fornecimento limitado e investimentos em regularização e registros, eles custam, em média, 40% mais, mas podem chegar a 200% sobre o valor de um não orgânico.
Há quem pense diferente. Wani Oliveira afirma que o custo não é maior. “Pelo contrário. As folhas orgânicas são mais baratas”, garante. O fato é que a diferença de preço está menor e alguns itens já têm valores equivalentes aos alimentos convencionais.
SAIBA MAIS:
Feiras de produtos orgânicos:
2ª -feira – Das 17 às 21h. Dhyana Núcleo de Yoga. Rua 1.130, nº 242, S. Marista
2ª -feira – Final da manhã e final da tarde. Escola Interamérica. Rua T-30, nº 2.455, Setor Bueno
3ª e 5ª-feiras – À tarde. Av. T-9, em frente ao Banco do Brasil, Jardim América
3ª e 5ª-feiras – Das 16 às 19h. Cerrado Alimentos Orgânicos. Rua 15, nº 461, Centro
5ª-feira– À noite. Igreja Messiânica, Rua T-53, Setor Bueno
Sábado – Manhã. Mercado da Rua 74
Onde encontrar:
Restaurante República da Saúde – Saladas com verduras, legumes e grãos. No empório, cachaça, vinho, suco, feijão, barra de cereal, arroz, legumes, verduras, café, banana passa, açúcar, geleia, azeite, cooks, achocolatados, vinagre, bebida de arroz, mel e brotos. Rua 89, nº 655, S. Sul. Telefone: 3942-6575.
Restaurante Panela Mágica – Saladas com legumes e grãos in natura ou cozidos no vapor. Rua 137, nº 120, S. Marista e Rua 4, nº 394, S. Oeste. Telefones: 3223-6604 e 3945-4138.
Restaurante La Paslta Gialla – Destaque para bruschettas, massas, molhos, vinhos, azeites e suco de tangerina. Rua 145, nº 76, S. Marista. Telefone: 3086-4106.
Restaurante Madero – Palmito assado e saladas. Goiânia Shopping, Av. T-10, S. Bueno. Telefone: 3233-3090. Restaurante Arepa – Saladas de folhas. Av. Professor Venerando de Freitas Borges, qd. 36, lt.3, S. Jaó. Telefone: 3954-3292.
Restaurante Assoluto – Saladas orgânicas. Alameda Coronel Eugênio Jardim, nº 300, S. Marista. Telefone: 3092-8281.
Loving Hut – Franquia internacional do restaurante vegano (alimentação vegetariana estrita, livre de carnes, leite e ovos). Inauguração em um mês. Rua C-238, qd. 554, lt. 11, s/nº, Jardim América.
Empório Cerrado Alimentos Orgânicos – Arroz, feijão, aveia, linhaça, açúcar, cacau, café, sucos, geleia, barra de cereal, chá, molho de tomate, macarrão e produtos de limpeza e higiene, entre outros. Rua 15, nº 461, Centro.
Fonte: Jornal O Popular - Magazine (15 de Maio/2010) - www.opopular.com.br
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